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Governo «não tem no seu horizonte a tomada de nenhuma outra medida de austeridade»
2012-05-11
O Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho reafirmou que o Governo não tenciona aplicar medidas suplementares de austeridade, no debate quinzenal na Assembleia da República, em que respondeu às perguntas colocadas pelos deputados.
O Governo «mantém as suas metas para este ano e reafirma que não tem no seu horizonte a tomada de nenhuma outra medida de austeridade para garantir o resultado final da execução orçamental em 2012», referiu, acrescentado que «não sendo nenhum de nós instruído em artes mágicas, o Governo não deixará de estar disponível para fazer as correções necessárias, mas, nesta altura, não vê qualquer necessidade de introduzir correções» no quadro macroeconómico.
Acerca do desemprego, o Primeiro-Ministro afirmou que «foi assumido pelo Governo que as previsões que tínhamos foram largamente ultrapassadas pela realidade. Precisamos de compreender melhor o que se esta a passar no mercado de trabalho», pelo que o Governo apresentará «ao País, ao Parlamento e à troika, quer a sua conclusão, quer a sua previsão» em matéria de evolução do desemprego.
«Mas mantemos a meta para este ano, de resto como a própria Comissão Europeia refere nas suas previsões da Primavera», afirmou o Primeiro-Ministro, acrescentado que no âmbito do quarto exame regular do Programa de Assistência Económica e Financeira, o Governo, «apresentará uma nova previsão para a evolução do desemprego».
Sobre a Cimeira Luso-Espanhola, que esta semana decorreu, o Primeiro-Ministro referiu que nas ligações ferroviárias de mercadorias projetadas para acesso dos portos e das empresas portuguesas ao mercado continental europeu «não ficou fechada uma data precisa nesta matéria dada a incerteza orçamental que rodeia o médio prazo nos dois países», recusando «fazer como no passado, em que se fixaram várias datas para os projetos que sistematicamente não foram cumpridas».
Acerca da reforma do licenciamento industrial o Primeiro-Ministro afirmou que é «a primeira peça de um processo de reforma do licenciamento que o Governo está a preparar» para conseguir uma «mudança de paradigma» que simplifique procedimentos e acabe com o «calvário do licenciamento» para os empresários.
Quanto às eleições na Grécia, Pedro Passos Coelho afirmou esperar que «o bom senso europeu não conduza ao lançamento de ameaças aos gregos quanto àquilo que lhes pode vir a acontecer em retaliação se eles não decidirem de uma maneira ou de outra maneira»; pelo contrário, «o apelo deve ser dirigido à noção de responsabilidade, à sensatez, com certeza, ao sentido prático de organização que os estados precisam de ter».
«Mas precisa também de haver uma manifestação de confiança expressa na nossa vontade de que a Grécia permaneça dentro do espaço europeu, permaneça dentro do projeto europeu e do euro. Isso é essencial», acrescentou.
“A estratégia de desenvolvimento da Europa passa pela disciplina orçamental e pelas reformas estruturais”
Luís Montenegro congratulou o Governo pela cimeira luso-espanhola e pela reforma do sector do licenciamento industrial que é fundamental para a criação de emprego.
Luís Montenegro deixou, esta sexta-feira, uma palavra de congratulação pela realização da cimeira luso-espanhola. Durante o debate quinzenal com o Primeiro-Ministro, o líder parlamentar do PSD enfatizou que foi muito positivo o reatar destas reuniões com o Governo de Espanha, pois sabemos que temos um caminho a percorrer que tem muitos pontos comuns e uma relação de proximidade física, económica e social incontornável. O deputado considera que estes acordos e protocolos assinados são muito importantes e pediu a Passos Coelho para fazer um balanço sobre esses entendimentos, com especial foco no sector dos transportes, quer do transporte ferroviário (onde se reafirmou a importância estratégia das ligações em bitola europeia) quer no sector rodoviário (onde se deram passos muito importantes para ultrapassar bloqueios e constrangimentos no pagamento das portagens que o Governo socialista adotou nas antigas SCUTS). Ainda sobre os compromissos estabelecidos, o social-democrata solicitou ao Primeiro-Ministro que se referisse à eliminação da dupla tarifação do transporte de gás natural, “uma medida tão reclamada por aqueles que não a concretizaram no passado e que é tão importante para baixar os custos para os consumidores e empresas”.
De seguida, Luís Montenegro centrou a sua intervenção na Europa. O líder da bancada “laranja” recordou que o PSD apresentou, esta semana, uma proposta que visa promover uma ponderação que leve a União Europeia e os Estados Membros a defenderem e a concretizarem uma revisão das pautas alfandegárias com parceiros extracomunitários. “A estratégia de desenvolvimento da Europa passa pela disciplina orçamental e pelas reformas estruturais. Essas são condições de competitividade que potenciam o investimento e uma maior industrialização do nosso espaço. Mas isso depende também da capacidade de conseguirmos ter entrada dos nossos produtos em novos mercados. Somos defensores de um comércio livre, mas também de um comércio justo. A solidariedade que a Europa demonstrou nas últimas décadas impõe, agora, que haja uma tendência de reciprocidade sem a qual podemos comprometer os nossos sectores exportadores. A questão é importante hoje, apesar de ser assinalável o comportamento que temos verificado nas nossas exportações. Está demonstrado que nós temos capacidade mas também é importante que possamos ter alguma prevenção relativamente ao futuro”.
Por fim, o parlamentar referiu-se a uma reforma anunciada pelo Governo e que entende ser fundamental: a reforma do sector do licenciamento industrial. “Trata-se de mais uma reforma que pode não ter um efeito tão imediato como desejávamos, mas que é essencial à captação de investimento e à dinamização consistente da nossa economia. O excesso de burocracia, a intervenção de inúmeras entidades nos procedimentos, o excesso de atos prévios, a quantidade e a demora dos pareceres que são solicitados, a duplicação da informação, a falta de previsibilidade que afasta investidores e investimentos”. Por considerar esta uma reforma de enorme importância, o social-democrata questionou se podemos esperar uma revisão transversal das regras do licenciamento, simplificando, reduzindo prazos, confiando mas responsabilizando os técnicos e os investidores. “Precisamos de ter uma administração amiga do investimento, porque só esse investimento poderá trazer criação de riqueza e postos de trabalho. Esta é mais uma demonstração de que só conseguiremos pôr Portugal a crescer de novo, garantir a sustentabilidade do Estado Social e garantir o acesso ao emprego dos nossos cidadãos se formos capazes de compreender que é com reformas desta envergadura que conseguiremos atingir esses objetivos”.
José Manuel Canavarro: com este Governo não há conflitos no sector da educação
O parlamentar salientou que o Ministro Nuno Crato tem implementado mudanças diversas no sector da educação sem que a confiança dos atores educativos se quebre.
José Manuel Canavarro enfatizou, esta quinta-feira, que “não há, não haverá, unanimismos em Educação, porque conhecer e aprender são tarefas complexas, de caráter não apenas mas sobretudo individual. Bem como ajudar a conhecer e a aprender é missão regulada e profissionalmente exercida na Escola”. Existe contudo, acrescenta o social-democrata, sempre uma margem individual, grupal ou institucional, perfeitamente legítima que sustenta que, em Educação, defendamos a autonomia do exercício profissional dos professores e a autonomia do funcionamento das escolas, conferindo assim personalidade técnica ao professor, que a tem e sempre terá, e distinguibilidade às Escolas, porque evidentemente não são iguais e felizmente não querem sê-lo. “O centro da Educação está na aprendizagem. E aprender deve fazer-se de modo adequado e eficiente. Aprender envolve esforço. Melhora se se fizer com gosto e motivação. E há instrumentos que estimulam a aprendizagem. Estes princípios básicos sobre a aprendizagem devem orientar a atividade educativa e a atividade de organizar a Educação, tarefa esta de quem governa a Educação. Este Governo tem procurado criar condições, num contexto orçamental muito complicado, para que se aprenda, regulando a aprendizagem, para que se ensine, regulando a atividade dos professores, para que o contexto que enquadra estas duas atividades seja propício, regulando a gestão das escolas e os instrumentos de que geralmente os governos dispõem para que o ensino e a aprendizagem aconteçam de forma adequada e eficiente, por exemplo o currículo e exames nacionais”.
Entre as medidas destacadas pelo social-democrata encontram-se: as mudanças curriculares, que eram uma necessidade pedagógica anotada há já muito tempo, assim como o reforço da autonomia das escolas, os processos de agregação de escolas e o redimensionamento das turmas, necessidades conjunturais que medidas de complemento podem amenizar eventuais efeitos negativos decorrentes, como por exemplo uma redefinição do estatuto do aluno, no último caso, ou a procura de consensos alargados na comunidade educativa “ante-execução”, no primeiro.
No debate sobre política de educação, José Manuel Canavarro recordou, de seguida, que entre 2005 e 2009 o PS adotou para a Educação um paradigma de indução de conflito entre os atores educativos. “Errou. Essa não é, nunca será, a melhor forma de governar a Educação. É natural que o PS estranhe agora que o Ministro Nuno Crato, que tem implementado mudanças diversas, o consiga fazer com determinação, com clareza, mas sem que a confiança dos atores educativos se quebre, sem conflitualidade”.
Dirigindo-se à bancada do PS, o deputado declarou que nem ele “nem o Grupo Parlamentar do PSD temos uma visão maniqueísta do desempenho político geral ou setorial dos outros partidos quando governam. Os senhores, o PS, não fizeram tudo mal entre 2005 e 2011, mas devem afastar-se dessa orientação de que se governa a educação por indução de conflito. Virem a página, encerrem esse capítulo. Abram outra página, consultem outro livro. Assumam novas perspetivas”.











