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Luís Montenegro apresentou o Projeto de Resolução do PSD para estimular o crescimento e o emprego
Os sociais-democratas pretendem evitar os erros que nos forçaram, nos últimos 35 anos, a pedir ajuda externa 3 vezes.
“Assinala-se hoje o dia da Europa. 62 anos depois da Declaração de Robert Shuman, a Europa mantêm intacto o desígnio de se constituir como um espaço de Paz, de solidariedade e de prosperidade. A construção desse espaço é, por natureza, um trabalho sempre inacabado.
É um trabalho que acrescenta a cada obstáculo que é vencido, sempre novos desafios e novos objetivos. E é um trabalho de diálogo permanente, de concertação permanente, de consensos difíceis e muitas vezes demorados”. Foi desta forma que Luís Montenegro iniciou a sua intervenção, esta quarta-feira, no debate marcado pelo PSD sobre Política Europeia.
Na opinião do líder parlamentar do PSD, hoje, em Maio de 2012, “os povos da Europa, cientes de alguns erros e omissões próprias dum percurso tão longo e complexo, não devem arrepender-se dos caminhos trilhados e dos contágios positivos que a realidade europeia suscitou nos Estados-Membros. O principal dos quais foi, sem dúvida, o processo de implantação e aprofundamento de regras políticas democráticas, condição essencial de adesão à União Europeia e princípios de organização política e social, de que não prescindimos nunca”.
Na atualidade, prosseguiu o social-democrata, a construção Europeia, no quadro do mercado único e da União económica e monetária, enfrenta novos desafios de grande complexidade que exigem dos Estados e dos seus dirigentes políticos elevado sentido de responsabilidade. “Se para a democratização da Europa os povos europeus se contagiaram de forma positiva, no aprofundamento da integração politica e económica e na dinamização da União Monetária, os desequilíbrios financeiros, de competitividade e de crescimento de uns, afetam inelutável e negativamente a vida dos outros. Por isso, o Tratado Orçamental subscrito por 25 Estado Membros é tão relevante e decisivo para responder e prevenir crises como aquela que atravessamos.
Como dissemos aquando da sua discussão, este Tratado representa a nossa recusa de repetir os erros do passado. Erros que no caso de Portugal nos forçaram nos últimos 35 anos a pedir ajuda externa 3 vezes. Ajuda essa sem a qual não conseguiríamos preservar o nosso Estado Social e sem o qual não conseguiríamos recuperar a economia para voltar a crescer. Quando muitos desdenham da Regra de Ouro ou quando outros não lhe querem conferir de forma clara a estabilidade e a durabilidade que a sua natureza estrutural comporta, o que fazem é desvalorizar a solidariedade entre os Estados e dentro destes a solidariedade entre gerações”.
De seguida, Luís Montenegro recordou algumas palavras de responsabilidade proferidas a 31 de Março de 1984,pelo Primeiro-ministro Mário Soares, no dia em que um Governo PS/PSD cumpria um ano de mandato e implementava um plano de emergência para enfrentar, com a ajuda externa, a crise financeira que Portugal vivia.
“Fomos obrigados a fazer, sem contemplações, o diagnóstico dos nossos males coletivos e a indicar a terapêutica possível. Uma terapêutica de choque, não diferente, aliás, da que estão a aplicar outros países da Europa bem mais ricos do que nós. (…) Anunciámos medidas de rigor e dissemos em que consistia a política de austeridade, dura, mas necessária. Reconheço que a situação é difícil para todos e que para alguns, principalmente nas zonas urbanas na periferia das grandes cidades, se tornou mesmo muito difícil, duríssima. Ninguém o sente mais do que eu, que todos os dias apareço responsabilizado mesmo por aquilo de que humanamente não é legítimo nem sensato responsabilizar-me. Reconheço que há motivos de descontentamento, particularmente entre a população mais desfavorecida. Mas atente-se nas causas dessa situação e haja um pouco de paciência e de confiança no trabalho que está a ser feito. Dê -se tempo ao tempo e jogue-se na estabilidade e no trabalho – não na agitação permanente, na perturbação e no caos – se queremos encontrar uma via de saída consensual e democrática para vos problemas reais, estruturais, com que o País”.
Dirigindo-se à bancada socialista, o social-democrata questionou se concordam com estas palavras. “Concordam ou não concordam com este apelo à paciência e à confiança? Concordam ou não concordam com esta denúncia daqueles que com oportunismo querem agitar irresponsavelmente a população afinal não ajudam. Era estranho que não concordassem. Nós concordámos há 28 anos com esse Primeiro-ministro apesar de ele ser socialista”.
“Reformar o Estado e os interesses públicos é o único que garante o Estado Social. Reformar a justiça, a relação da administração com os cidadãos e as empresas é o único caminho que garante o desenvolvimento sustentado. Aumentar a divida e o défice não são a solução. Foi por isso que tal como prometemos aquando do debate do Tratado Orçamental e do Projeto de Resolução do PS. Decidimos promover este debate aqui e hoje com um duplo objetivo. Em primeiro lugar para apresentarmos as nossas propostas com vista a que as políticas europeias possam cada vez mais seguir um modelo de desenvolvimento gerador de emprego e crescimento duradouros e estruturais.
E em segundo lugar, que no Parlamento se possa construir um consenso abrangente, que integre nomeadamente aqueles que no passado sempre convergiram connosco nesta matéria. Ao contrário de outros, não vimos a este debate impor posições, nem dizemos a ninguém: “ou aceitam o que propomos, como propomos e quando propomos ou não há diálogo”. Quem age ou agia assim, pode colocar a cara que quiser, pode usar as expressões verbais que quiser mas ao agir assim, mais não está a que a esconder, a ocultar o seu verdadeiro desejo: o desejo de rutura, a falta de compromisso, da irresponsabilidade”.
A concluir a sua intervenção, o líder parlamentar do PSD fez referência ao Projeto de Resolução do PSD sobre o comércio internacional justo e à revisão das pautas aduaneiras no seio da Organização Mundial do Comércio. Do seu ponto de vista trata-se duma “matéria crucial para Portugal e relevante para a agenda de crescimento da Europa”. “É pois chegada a altura da Europa, que ao nível da OMC, foi sendo solidária com vista a ajudar a desenvolver económica e socialmente outras sociedades não se iniba de face à situação atual e previsível nos próximos anos de lançar a discussão da revisão das pautas aduaneiras vigentes. As nossas empresas bem sabem das dificuldades que hoje se colocam quando querem entrar em novos mercados. Sabendo nós que, na Europa, não vamos ter um crescimento tão acentuado que possa absorver a capacidade exportadora das nossas empresas. Um batalha que é de Portugal mas que é também da Europa que quer crescer”.
Governo já tem luz verde de Bruxelas para avançar com passaporte emprego
2012-05-04
«A resposta de Bruxelas foi positiva em relação à proposta apresentada por Portugal [para o passaporte emprego], sendo que também foi confirmado que não seriam disponibilizados fundos adicionais para além daqueles que resultam das disponibilidades que já existem em Portugal», afirmou à agência Lusa o Secretário de Estado do Emprego, Pedro Martins, no final do seminário intitulado «O Emprego Jovem e o Papel das Cooperativas», em Lisboa.
O Secretário de Estado acrescentou ainda que «Bruxelas deu confirmação que iria acelerar o processo de reprogramação e, nesse sentido, tendo já esta luz verde por parte de Bruxelas, estamos em condições de pôr estas iniciativas no terreno de forma mais célere», particularmente, o «passaporte emprego».
Explicando em que consiste, Pedro Martins afirmou que «o passaporte terá um efeito interessante de combate ao desemprego jovem, uma vez que passa por uma nova formalidade de estágios e penso que poderá ser possível já ter a moldura legal para implementar esta medida até ao final do mês de maio». Contudo, «o montante total para financiamento ainda está em aberto uma vez a Comissão Europeia informou que não haveria a disponibilização de verbas adicionais».
De acordo com o documento do Governo enviado para a Comissão Europeia, só os desempregados inscritos nos centros de emprego há pelo menos quatro meses poderão ser abrangidos pelo «passaporte emprego», independentemente de se tratar de um jovem desempregado à procura do primeiro emprego ou de um novo emprego.
Esta iniciativa faz parte de um programa mais vasto do Governo para combater o desemprego jovem intitulado «Impulso Jovem», que visa responder ao desafio lançado por Durão Barroso durante o Conselho Europeu de janeiro, e assim reduzir o desemprego jovem nos países da União Europeia onde as taxas são mais elevadas.
Vítor Gaspar: Portugal está «no bom caminho» para o crescimento económico e criação de emprego
2012-04-23
«Temos conseguido resultados e, continuando neste caminho, seremos capazes de ter bom sucesso no sentido de criar os fundamentos para o crescimento sustentado, competitividade da economia portuguesa e criação de emprego», afirmou o Ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, à agência Lusa, à margem das reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Fazendo um «bom balanço» deste encontro, onde teve «oportunidade de explicar, em várias ocasiões, que a execução do programa de ajustamento está no bom caminho», o Ministro afirmou que a reação dos agentes financeiros internacionais foi de «grande disponibilidade e curiosidade para ouvir a nossa perspectiva do que se está a passar em Portugal».
Segundo Vítor Gaspar, o comportamento das exportações foi «muito favorável» durante 2011: «Nos últimos meses, Portugal tem tido um ganho muito significativo de quotas de mercado, a correção do desequilíbrio na nossa balança comercial, na nossa balança de bens e serviços, na nossa balança de transações correntes, tem ocorrido significativamente mais depressa do que estava previsto no programa», o que é prova da «capacidade da economia portuguesa para se ajustar neste período difícil».
Bruxelas apoia programa de apoio ao emprego jovem
2012-04-19
Através do aval à reprogramação de fundos comunitários, a Comissão Europeia (CE) mostrou o seu apoio ao programa português de combate ao desemprego jovem, explicou o Secretário de Estado da Economia, Pedro Martins, à saída da reunião que teve em Bruxelas.
No final de um encontro com o comissário europeu do Emprego, Laszlo Andor, o Secretário de Estado Adjunto da Economia e Desenvolvimento Regional, António Almeida Henriques, que também integrou a comitiva portuguesa, afirmou que a CE viu o programa português de forma «positiva», permitindo agora a sua finalização para implementação assim que possível.
Em causa estão as medidas contidas no plano estratégico Impulso Jovem, com investimentos de cerca de 350 milhões de euros, conseguidos pela reorientação de fundos comunitários. Prevê-se que este programa venha a beneficiar mais de 70 mil jovens, tendo sido feito pelo Governo na sequência da iniciativa do presidente da CE, Durão Barroso, encetar uma ação concertada para combater o desemprego juvenil nos oito estados-membros onde a taxa é mais elevada, onde se inclui Portugal.
Afirmando que este «é um cenário que permite fazer uma boa reprogramação dos nossos fundos», António Almeida Henriques sublinhou que permitirá dar resposta a um dos «principais problemas» que o País enfrenta, o do desemprego dos jovens.
Sobre o que se vai suceder, o Secretário de Estado Adjunto da Economia adiantou que «nos próximos dias, entre as equipas da Comissão e as equipas do Governo, iremos finalizar este documento, no sentido de, depois, em sede de reprogramação estratégica do QREN [Quadro de Referência Estratégico Nacional], que está atualmente em curso, podermos implementar estas medidas», sendo que não será necessária a reprogramação integral do QREN para que sejam avançadas já algumas medidas.
Redução das indemnizações por despedimento será negociada na concertação social
2012-04-18
O Ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, afirmou que o estudo sobre indemnizações por cessação do contrato de trabalho, realizado pelo ministério que tutela, e que pretende reduzir os dias com base nos quais é calculada a compensação, é meramente indicativo, e vai ser levado à concertação social. Estas declarações foram feitas pelo Ministro à entrada para a comissão parlamentar de Economia e Obras Públicas.
Acrescentando que «este estudo toma em conta algumas especificidades da economia portuguesa e diz que a média na zona euro é entre sete e 13 dias», Álvaro Santos Pereira afirmou que «esta é uma matéria que será alvo de concertação social». E recordou que o memorando de entendimento assinado com a troika refere que as compensações deverão baixar entre oito e 12 dias.
Em Portugal, entrou em vigor em outubro uma nova lei que prevê indemnizações de 20 dias por cada ano de trabalho, com um limite máximo correspondente a 12 meses de salário, sendo esperadas novas alterações devido ao memorando de entendimento da troika.
No acordo de concertação social assinado com os parceiros, o Governo comprometeu-se a descer as indemnizações por despedimento para o valor médio da União Europeia. Segundo a Secretaria de Estado do Emprego, nos 27 estados-membros, o valor médio das compensações em caso de cessação do contrato de trabalho situa-se entre os seis e os 10 dias por cada ano de antiguidade. Se apenas forem tidos em conta os 17 países da zona euro, o intervalo passa para entre os sete e os 13 dias.












